terça-feira, 30 de setembro de 2008

Fábula de Esopo

Estava procurando histórias para contar a meu filho... até que encontrei
uma fábula de Esopo que não conhecia e a achei fantástica.

Um homem transportava uma carga muito pesada na sua carroça com
grande dificuldade, pois havia chovido e a estrada estava cheia de barro.
Depois de certo tempo, o que ele mais temia aconteceu: uma das rodas
ficou atolada e, quanto mais os cavalos puxavam, mais ela patinava e
afundava.

Finalmente, o carroceiro parou de chicotear os cavalos, desceu da carroça
e, ajoelhado, rezou a Hércules, o Forte. “Ó Hércules, ajude-me neste
momento de infortúnio”, implorou o homem, esperançoso por um milagre.

Hércules apareceu e disse: “O que está fazendo aí ajoelhado? Arregace as
mangas e comece a empurrar a carroça!”.

Meu filho talvez ainda não compreenda a profunda lição de uma história
tão simples.
 Espero que você sim – e compartilhe, se quiser.


sábado, 27 de setembro de 2008

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL

Frei Betto


     Ao  viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do  Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus  mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São  Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares,  preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já  haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um  outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois  modelos produz felicidade?'

     Encontrei  Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à  aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de  manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho  tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de  balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota  robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de  meditação!'

     Estamos construindo  super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente  infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que  o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se  não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os  currículos escolares incluírem aulas de  meditação!

     Uma progressista cidade do  interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de  ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não  tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em  relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como  estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como  fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?   

     Outrora, falava-se em realidade:  análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a  palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela  internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no  mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga  íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de  prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os  valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de  abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos  virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado,  pois somos também eticamente virtuais...

     A  cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito.  Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções - é um problema: a cada  semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A  palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da  imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se  apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a  publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é  o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este  tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é  que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que  acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a  neurose.

     Os psicanalistas tentam  descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu,  que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su­gestão.  Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele  não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si  mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento  globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para  uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades,  auto-estima, ausência de estresse.

     Há uma  lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita  uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história  daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média,  as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil,  constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping  centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas;  neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de  missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há  mendigos, crianças de rua, sujeira pelas  calçadas...

     Entra-se naqueles claustros  ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.  Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos  de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista,  sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito,  entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar,  certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na  eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo  hambúrguer do McDonald's...

     Costumo  advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo  um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates,  filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro  comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:  'Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser  feliz.'

Melodia do Coração


Desde sempre os sábios exaltaram o valor da amizade e expressaram em novas imagens
 o mistério do amigo.
 Uma imagem que me tocou de modo especial e profundamente foi:
"Amigo é aquele que escuta a melodia do coração do outro e a canta de novo para ele, quando este a esqueceu".

Não sei de quem é esta frase, mas é uma imagem maravilhosa dizer que o amigo escuta a melodia de meu coração.

O amigo percebe perfeitamente o que está perturbando o meu interior.
Ele introduz seu ouvido dentro de mim
para descobrir a melodia básica de minha vida,
para perceber onde e como a minha vida começa a balançar e vibrar.

E quando esqueci esta melodia
porque me afastei de mim mesmo
devido às muitas preocupações do dia-a-dia,
 meu amigo canta para mim esta melodia.

Ele me traz de volta
 ao contato com meu verdadeiro cerne, com meu verdadeiro ser.
Ele me traz o reflexo do que eu sou. O amigo me lembra do que sou no mais íntimo.

Sua tarefa é, pois, mais do que apenas me compreender,
do que estar do meu lado e me apoiar.
Ele assume dentro dele a melodia de meu coração,
para fazê-la soar novamente quando ela tiver emudecido em mim.

Fonte: Paulinas
 

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Frank Sinatra & Celine Dion

APENAS UM POEMA

"Se a brisa da manhã tocar o teu rosto e num gracejo fogoso fizer teus
cabelos brincar, saiba que é um carinho meu,
que sem querer dizer adeus, pedi ao vento para te entregar...

Se ao andar pelas matas sentir o cheiro da vida, de folhas secas e
molhadas, perfume de flores, pode ser jasmim ou qualquer coisa assim, é
ainda a minha mensagem que vai com o meu perfume, para você jamais esquecer
de mim...

Ao ouvir o barulho de água cristalina, limpa, pura, vai te lembrar minhas
loucuras tentando te conquistar.
Uma cachoeira encantada vai te lembrar
minha risada quando eu só existia para te amar...

E ao ouvir pássaros cantando, em alguns galhos namorando, recordará algumas
canções que a gente escutava baixinho, jogados em qualquer cantinho,
deixando a canção dizer o que havia em nossos corações...

Se uma gota de orvalho atrevida em tua face pingar e mais uma outra, ainda
insistente, cair, é apenas uma lágrima que escorregou, é essa imensa
saudade a me consumir...

E, ao cair da tarde, quando tudo for silêncio,
olhe para o horizonte , escuta quando a noite chegar.
A mesma estrela vai te dizer
que, mesmo que nunca mais te encontre, eu jamais vou te esquecer..."

(desconheço o autor)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Vaso Chinês



Um jovem servo foi condenado à forca, 
por ter quebrado um vaso de porcelana
de uma preciosa coleção que pertencia à família real. 

Consternado, um velho sábio procurou o príncipe 
e prometeu fazer todos os vasos voltarem a ser iguais, 
em troca do perdão ao servo. 

Curioso, o príncipe concordou e o ancião, 
na mesma hora, espatifou com seu bastão, 
os outros dez vasos. 

O sábio subiu ao cadafalso no mesmo dia, mas, 
antes de ser levantado, declarou: 
"Sou velho e morro tranquilo. 
Salvo a vida de dez jovens que, um a um, 
morreriam, a cada vez que um 
daqueles vasos fosse quebrado". 


Conto chinês

Fonte: Paulinas

sábado, 13 de setembro de 2008

A dificil arte de saber OUVIR.


A difícil arte de ouvir

Não se ouve o que o outro fala: ouve-se o que ele não está dizendo.

Não se ouve o que o outro fala: ouve-se o que se quer ouvir.

Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se o que já escutara antes e o que se acostumou a ouvir.

Não se ouve o que o outro fala. Ouve-se o que se imagina que o outro ia falar.

 Numa discussão, em geral, não se ouve o que o outro fala.

Ouve-se quase que só o que se pensa para dizer em seguida. Não se ouve o que o outro fala.

Ouve-se o que se gostaria que o outro dissesse. Não se ouve o que o outro fala.

Ouve-se apenas o que se está sentindo. Não se ouve o que o outro fala.

Ouve-se o que já se pensava a respeito daquilo que o outro está falando. Não se ouve o que o outro está falando. Retira-se da fala dele apenas as partes que tenham a ver consigo. Não se ouve o que o outro fala.

Ouve-se o que confirme ou rejeite o seu próprio pensamento. Ou seja, transforma-se o que o outro está falando em objeto de concordância ou discordância. Não se ouve o que o outro está falando.

Ouve-se o que possa se adaptar ao impulso de amor, raiva ou ódio que já sentia por quem está a falar. Não se ouve o que o outro fala.

Ouve-se da fala dele apenas os pontos que possam fazer sentido para as idéias e pontos de vista que no momento nos estejam  influenciando ou tocando mais diretamente.

 Ouviu?

 

 

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mogi Mirim : Sp - Ano 2008

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Mogi Mirim : Sp - 2008

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Mogi Mirim : Sp - 2008

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Mogi Mirim : Sp - 2008

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CORAÇÃO NÃO ENVELHECE


O tempo roubou minha juventude,
minha pele que era clara e rosada
hoje está um pouco manchada.
Meus cabelos não tem mais o mesmo brilho
e eu também tive filhos,
meu corpo se modificou,
muita coisa em mim se transformou.
As unhas que eram inquebráveis
hoje parecem descartáveis.
As rugas se tornaram inevitáveis,
cicatrizes com que a vida me presenteou.
Dores percorrem meu corpo sem cessar,
talves seja a coluna que não pode aguentar
certas cargas que insisto em carregar.
Quase tudo em mim foi alterado,
foi assim que o tempo mandou o seu recado.
No entanto tem algo em mim que não mudou,
meu coração ainda ama
do jeito que no passado amou.
Ama com tanta intensidade,
ama com tanta vontade
que me faz sentir uma adolescente
em estado permanente
de alegria, entusiasmo e euforia.
Coração não envelhece,
não enruga, não enrijece,
coração estufa e cresce
quando um verdadeiro amor a vida
nos oferece.


(Silvana Duboc)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A Mulher e Seus Climas por ARTHUR DA TAVOLA

A mulher não é ela.
É o clima dela.
Melhor do que perfumes é o cheirinho de banho recente que se descobre no cabelo e na nuca ou de capim cheiroso espalhado no armário e herdado pela blusa ou camisola.
Nada de voz aguda.
Um tom de médio para grave é preferível.
Uma gota de rouquidão incentiva.
Nada de perfeições! Nem de corpo, nem de inteligência e espírito.
Só de caráter.
Mulher mau caráter é tão raro quanto repulsivo.
O importante é mesmo ter algo de errado no corpo ou no rosto, atraentes.
Certos pequenos erros acentuam traços ou detalhes que, isolados, crescem muito e ganham o todo.
O lábio um pouco mais grosso, seios com bicos estrábicos, alguma penugem de que ela não goste mas necessária, o nariz um pouco maior do que ela desejaria, tudo isso aquece a atração.Carinho tem hora.
Não hora marcada, mas hora adivinhada. Carinho fora de hora, eriça. Olhar de uma tristeza tão antiga quanto encarnações é forte fator de atração. Lágrimas a postos. Sempre.Por favor, nenhuma bronca com barriguinha ou descuido nosso. Nada de exigências ascéticas, dietéticas, apologéticas ou ideológicas.
Mulher que atrai e mantém o seu homem é a que gosta mais de alguns defeitos dele do que de uma perfeição idealizada ou basbaque certinho demais.
Mas honradez ele deve ter.Mulher deve falar como quem insinua em vez de ordenar. Pedir como quem ajuda; saber esperar.
E não pode ficar falando 'eu acho' toda hora, nem descuidar-se das unhas dos pés.
Pudor é essencial.
Mas um pudor velado, revelado apenas na linguagem sutil mas eloqüente de seu corpo, no modo de se encolher na cadeira ou cruzar os pés.
Rebolados, só os muito suaves e discretos.
Mas evidentes.
Ser friorenta é indispensável. Se for possível preferir o silêncio - entre reclamar e reivindicar, salvo quanto tenha muita razão - melhor ainda. Se não for assim, que venha a bronca, mas com mansidão.
E depois não permaneça a resmungar.
Que goste de eventuais e raros pilequinhos, jamais de alcoolismo.Que ame beijar. Aprecie e valorize gentileza e adore ser deixada cruzar a porta na frente. Pisar firme, mas leve.
Mulher não deve chegar, deve aparecer.
Não deve entrar, deve aproximar-se. Não deve mastigar, deve diluir. Não deve engolir, deve sorver.
E por favor, cuspir, jamais. Só no consultório dentário...Ar de brincadeira antes de amar é receita infalível.
E dormir o mais encolhidinha possível e depois acordar solta, confiante no sono.Em viagens é essencial cuidar da gente. E guardar sempre uma surpresa para ser dada de repente.
Sim, ser bela nada tem com ser bonita.
É muito mais.
Porque a mulher não é apenas ela.
É também o clima dela.

AVE MARIA - Carmen Monarcha e Orquestra de André Rieu

terça-feira, 9 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008